Referencial Bibliográfico em Disputa: Colonialidade de Saberes, Corpos e Territórios na Formação em Psicologia
DOI:
https://doi.org/10.37444/issn-2594-5343.v9i1.533Palavras-chave:
Colonialidade do saber, Epistemicídio, Formação em Psicologia, Referenciais teóricos, Sul GlobalResumo
Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa sobre os referenciais teórico-metodológicos de 15 disciplinas obrigatórias do curso de Psicologia de uma universidade pública do interior paulista, com o objetivo de analisar os processos de epistemicídio, colonização epistêmica e possibilidades de contracolonialidade. Foram levantadas 133 referências bibliográficas obrigatórias. Destas, 53 eram de autores(as) brasileiros(as), 5 latino-americanos(as), 48 europeus(as) e 26 dos Estados Unidos; uma autoria não pôde ser identificada. 131 autorias foram heteroidentificados como brancas, 1 como não-branca e 1 não pôde ser identificado. Em relação ao gênero, 88 referências eram de autoria masculina e 45 feminina. Os dados revelam a predominância de autores brancos, homens e estrangeiros, majoritariamente da Europa e dos Estados Unidos. Ao denunciar essa assimetria, o estudo convida à reflexão crítica não apenas sobre os currículos da Psicologia, mas sobre os rumos da ciência brasileira, apontando a urgência de incorporar autores e autoras comprometidos com os territórios, corpos e lutas da America do Sul e do Sul Global.
Referências
AKOTIRENE, Carla. Interseccionalidade. Editora Jandaira, 2020.
BATISTA, Paula Nogueira Pires. Que vadia branca é essa? Reflexões sobre feminismos, branquitude e tradução politicamente investida a partir da Marcha das Vadias de Goiânia/GO. In: Seminário Internacional Fazendo Gênero 11 & 13th Women’s Worlds Congress [Anais...], Florianópolis, 2017.
BENTO, Maria Aparecida da Silva. Notas sobre a branquitude nas instituições. In: Violência e Sociedade: O racismo como estruturante da sociedade e da subjetividade do povo Brasileiro. 1ed. São Paulo: Editora Escuta, v. 1, p.115-136, 2014.
CARLI, Tassiana; RODRIGUES, Edgar Bendahan; SOUZA, Leonardo Lemos de. Privilégio epistêmico e privilégio social: uma análise curricular do curso de Psicologia. In: BRABO, Tânia Suely Antonelli Marcelino (Org.). Gênero, cidadania e educação. Pelotas: Oficina Universitária, 2023.
DUSSEL, Enrique. 1492 El encubrimiento del Otro: Hacia el origen del “mito de la modernidad”. Plural Editores, 1994.
FANON, Franz. Pele Negra, Máscaras Brancas. Ubu, 2020.
FRANKENBERG, Ruth. A miragem de uma branquitude não marcada. In: Ware, Vron. (Org.). Branquidade: identidade branca e multiculturalismo. Rio de Janeiro: Garamond, 2004
FOUCAULT, Michael. Microfísica do poder. Paz e Terra, 2021.
SHIVA, Vandana. Monoculturas da mente: perspectivas da biodiversidade e da biotecnologia. São Paulo: Gaia, 2012.
GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano. Editora Schwarcz - Companhia das Letras, 2020.
GORJON, Melina Garcia; MEZZARI, Danielly Christina de Souza; BASOLI, Laura Pampana. Ensaiando lugares de escuta: diálogos entre a psicologia e o conceito de lugar de fala. Quaderns de Psicologia, Barcelona, v. 21, n. 1, p. 1-11, 2019.
GROSFOGUEL, Rámon. Para descolonizar os estudos de economia política e os estudos pós-coloniais: transmodernidade, pensamento de fronteira e colonialidade global. Revista Crítica de Ciências Sociais, n. 80, p. 115-147, 2008.
HARAWAY, Donna. Saberes localizados: a questão da ciência para o feminismo e o privilégio da perspectiva parcial. Cadernos Pagu, n. 5, p. 7-41, 1995.
HUIJG, Dieuwertje Dyi “Eu não preciso falar que eu sou branca, cara, eu sou Latina!” Ou a complexidade da identificação racial na ideologia de ativistas jovens (não) brancas. Cadernos Pagu, n. 36, p. 77-116, 2011.
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003.
LANE, Silvia Tatiana Maurer. O que é Psicologia Social? Brasiliense, São Paulo, 1981.
LANE, Silvia Tatiana Maurer. A Psicologia Social na América Latina: por uma ética do conhecimento. In: CAMPOS, R. H. F.; GUARESCHI, P. (Org.). Paradigmas em Psicologia Social: a perspectiva latino-americana. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000. p. 58-69.
MARTÍN-BARÓ, Ignácio. O papel do psicólogo. Estudos de Psicologia, v. 2, p. 7-27, 1997.
MARTÍN-BARÓ, Ignácio. Para uma psicologia da libertação. In: GUZZO, R. S. L.; LACERDA JR, F. (Org.). Psicologia Social para a América Latina: o resgate da Psicologia da Libertação. 2. ed. Editora Alínea, 2011.
MIGNOLO, Walter. Desobediência Epistêmica: a opção descolonial e o significado de identidade em política. Cadernos de Letras da UFF, n. 34, Niterói, 2008.
MOMBAÇA, Jota. Notas estratégicas quanto aos usos políticos do conceito de lugar de fala. 2017. Disponível em: http://www.buala.org/pt/corpo/notas-estrategicas-quanto-aos-usos-politicos-do-conceito-de-lugar-de-fala.
MUNANGA, Kabengele. Rediscutindo a mestiçagem no Brasil: identidade nacional versus identidade negra. Petrópolis: Vozes, 2003.
NASCIMENTO, Abdias do. O genocídio do negro brasileiro: processo de um racismo mascarado. São Paulo: Perspectiva, 2009.
NÚÑEZ, Geni. Monoculturas do pensamento e a importância do reflorestamento do imaginário. ClimaCom – Diante dos Negacionismos, Campinas, ano 8, n. 21, novembro 2021. Disponível em: https://climacom.mudancasclimaticas.net.br/monoculturas-do-pensamento/. Acesso em: 03 de jul de 2025.
OLIVER, Kelly. Witnessing: beyond recognition. University of Minnesota Press, 2001.
PASSOS, Ana Helena Ithamar; PUCCINELLI, Bruno; ROSA, Waldemir. As narrativas hegemônicas como normativas excludentes: raça, gênero e sexualidade. Revista CPF Sesc, p. 7, 2019.
PELÚCIO, Larissa. Subalterno quem, cara pálida? Apontamentos às margens sobre pós-colonialismos, feminismos e estudos queer. Contemporânea – Revista de Sociologia da UFSCar, São Carlos, v. 2, n. 2, p. 395-418, jul./dez. 2012.
PINHEIRO, Bárbara Carine Soares. Como ser um educador antirracista. São Paulo: Planeta Brasil, 2023.
REIS, Diego dos Santos. Saberes encruzilhados: (de)colonialidade, racismo epistêmico e ensino de filosofia. Educar em Revista, v. 36, p. 1-20, 2020.
RIBEIRO, Djamila. Lugar de fala. Pólen Produção Editorial, 2019.
SANTOS, Antônio Bispo do. A terra dá, a terra quer. Ubu Editora, 2023.
SANTOS, Milton. Por uma outra globalização. Record, 2023.
SARTRE, Jean. Paul. Prefácio. In: FANON, Frantz. Os condenados da terra. Civilização Brasileira, 1979.
SPIVAK, Gayatri Chakravorty. Pode o subalterno falar?. Editora da UFMG, 2018.
QUIJANO, Anibal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, Edgardo (Org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais – perspectivas latino-americanas. Ciudad Autónoma de Buenos Aires, Argentina: Clacso, 2005.
VEIGA, Lucas Motta. Descolonizando a psicologia: notas para uma Psicologia Preta. Fractal: Revista de Psicologia, Niterói, v. 31, n. esp., p. 244-248, set. 2019. Disponível em: https://doi.org/10.22409/1984-0292/v31i_esp/29000.